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#Top10AgilistasEmDúvida

#agilistasemduvida
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Essa semana, decidi perguntar aos assinantes da Cultura Ágil qual a principal dúvida que eles vem enfrentando em suas empreitadas no mundo ágil. As dúvidas, são de pessoas que já estão em uma jornada ágil, enfrentando problemas em seu dia a dia, de pessoas que querem adotar o ágil em seus projetos e de pessoas que estão estudando conceitos, práticas e técnicas ágeis. O intuito é ajudar não só apenas quem realizou as perguntas, mas também aqueles que possuem dúvidas semelhantes. Procurei dar as respostas mais genéricas possíveis, assim outras pessoas poderão relacionar elas ao seu contexto atual. Sem mais delongas, vamos as 10 perguntas selecionadas para esse primeiro #Top10AgilistasEmDúvida.

1° Questão: Qual a melhor maneira de aprender Scrum?

Na minha opinião, uma boa forma de compreender e aplicar o Scrum é seguindo três pilares básicos.

ESTUDO

Fortaleça primeiro o seu conhecimento teórico, isso irá aumentar a sua performance quando estiver praticando. Minhas sugestões são:

  • Leia o Guia do Scrum, para estabelecer uma visão geral;
  • Se familiarize com os papéis do Scrum, busque entender os limites, funções e relações entre cada um;
  • Se una a grupos de discussões no Facebook, Linkedin ou Yahoo;
  • Leia livros sobre Scrum, existem boas opções gratuitas e pagas no mercado;
  • Por último, faça um curso online ou presencial.
PRÁTICA

Tente aplicar o Scrum em seu local de trabalho. Ao fazer isso, você irá entender todas as oportunidades que o framework tem a oferecer, e melhor, fará isso de maneira empírica. Seja consciente de suas decisões e busque se adaptar e evoluir com a complexidade dos projetos que você guia. Observe e busque entender por que o Scrum é estruturado da maneira que é, e o que o difere de práticas tradicionais.

AVALIAÇÃO

Depois de ter solidificado o seu conhecimento e compreensão no Scrum, você pode tentar uma certificação em um dos papéis do framework.

2° Questão: Estou realizando minha monografia da pós, será um artigo científico no qual o tema é: “Metodologia ágil – Como usa-lá no desenvolvimento e criação de novos produtos”. Você poderia me recomendar alguns artigos e livros para leitura?

Existem ótimos livros no mercado para te ajudar. Vou citar alguns:

  • Desenvolvimento de Software Com Scrum – Mike Cohn;
  • Gestão de Produtos com Scrum – Roman Pichler;
  • Scrum – A arte de fazer o dobro na metade do tempo – Jeff Sutherland;
  • Métodos ágeis – Convencendo um cético (grátis) – Eu;
  • Scrum e XP direto das Trincheiras – Henrik Kniberg (grátis);
  • Metodologias Ágeis: Engenharia de Software Sob Medida – José Henrique Teixeira de Carvalho Sbrocco, Paulo Cesar de Macedo;

Esses já te darão uma base sensacional. 😉

3° Questão: O que eu devo levar em consideração na hora de priorizar o meu Product Backlog?

É muito importante manter o Product Backlog priorizado, afinal, é nele que estão as necessidades do cliente. Na priorização você deve levar em consideração as prioridades do próprio cliente, o que irá entregar maior retorno em valor para ele. O feedback e a dificuldade de implementação relativa são outros fatores que você deve levar em consideração na hora de priorizar os requisitos.

4° Questão: O que é Management 3.0?

O Management 3.0 é uma nova abordagem de liderança, gerenciamento e crescimento de equipes ou organizações ágeis. É baseado no livro de gestão ágil do guru de liderança Jurgen Appelo, denominado “Management 3.0: Leading Agile Developers, Developing Agile Leaders”.

O modelo do Management 3.0 é formado por 6 visões, são elas:

  • Energizar pessoas: As pessoas são a parte mais importante de uma organização. Portanto, os gerentes devem manter as pessoas ativas, motivadas e criativas;
  • Empoderar pessoas: Para que a equipe tenha auto-organização, proatividade e outros comportamentos de um time extraordinário, é preciso conceder poder a eles;
  • Alinhe restrições: É importante alinhar restrições com todos os envolvidos. Se o foco não for único, toda ação tomada será em vão;
  • Desenvolver competências: Os gerentes devem ajudar os membros da equipe a desenvolver competências para atingir seus objetivos. Dando as oportunidades para trabalhar em tarefas desafiadoras, ajudando a aumentar o nível de competência dos funcionários;
  • Crescer a estrutura: Criação de uma estrutura para aumentar a comunicação e colaboração dentro de membros da equipe;
  • Melhorar tudo: Pessoas, equipes e organizações devem centrar-se na melhoria contínua para obter o sucesso.

5° Questão: Qual a maneira mais eficaz de diminuir a resistência por parte da gerência/time na implantação do Ágil?

É normal encontrar resistência em uma adoção ágil. Para superar a resistência existem diversas técnicas que devem ser abordadas e muitos pré-requisitos que devem ser avaliados. É preciso identificar o como e o por que da resistência e quem a provoca. Vamos a um dos perfis que tendem a resistir a mudanças.

CÉTICOS

Céticos são aqueles que tendem a duvidar de tudo, não acreditam que nada irá dar certo, a não ser que seja algo que eles façam e acreditem.

Ações úteis para superar a resistência:

  • Deixe o tempo seguir seu curso: Se você conseguir manter a transição para o ágil em andamento, provas dos benefícios começarão a surgir. Mesmo simples relatos, já diminuirão o nível de resistência do cético;
  • Dê consultoria: Parte da resistência do cético é pelo fato de não ter feito ou visto algo parecido antes. A consultoria ajuda o cético a entender como a abordagem deve funcionar;
  • Solicite relatos de colegas: Se houver histórias de sucesso com outras equipes ou pessoas, faça o cético ouvir. Convidar um líder de desenvolvimento para falar sobre o seu sucesso com o Scrum ou Kanban será ótimo para desenvolvedores céticos;
  • Force a transição: Deixe o cético encarregado de alguma parte da transição, isso fará com que o mesmo tenha que pensar de maneira ágil e desafie os velhos costumes.

Esse tema é muito amplo, merece bem mais. Porém, esse já é um bom norte para você.

6° Questão: Tenho tido dificuldade em encontrar um artigo que diga NA PRÁTICA como montar um Product Backlog, e também como transformar esses PB em Sprint Backlog. Na prática eu quero dizer com uma descrição real, vejo muita teoria e ainda não entrou na cabeça.

O Product Backlog é um artefato, basicamente, uma lista de afazeres/necessidades priorizadas. Essa lista pode ser incluída em qualquer lugar, em um excel, em uma folha, em um quadro Kanban ou em um sistema de gerenciamento de projetos. Onde ele é inserido não importa muito, o mais importante é deixar ele claro, priorizado e de fácil modificação para mudanças futuras.

Ele pode conter colunas como: Id, Data de inclusão, Prioridade, Impacto, Solicitante, Funcionalidade, Tempo de Desenvolvimento e Status. Pode ter menos ou mais, irá depender da sua necessidade e entendimento.

Segue um mini fluxo para você entender como o processo funciona, desde o levantamento de requisitos até a execução.

  • 1° Coleta de requisitos: Aqui o analista levanta as necessidades do cliente;
  • 2° Planejamento da Release: Aqui são analisados os requisitos que entrarão na release, para cada requisito são definidas as estórias de usuário. Depois de definido, as estórias são inseridas dentro do Product Backlog e depois priorizadas;
  • 3° Planejamento da Sprint: Agora vamos planejar a Sprint, aqui você irá puxar a quantidade de estórias de usuário que sua equipe consegue concluir em uma Sprint. Essas estórias ficarão dentro da Sprint Backlog, que são a lista de afazeres para aquela Sprint em específico;
  • 4° A equipe executa as estórias do Sprint Backlog, essas estórias podem ser quebradas em tarefas para simplificar e separar a execução delas;
  • 5° A equipe deve concluir todos os itens do Sprint Backlog, dentro da Sprint atual. Depois que a Sprint acabar, uma nova reunião de planejamento da Sprint deve ser realizado e novas estórias do Product Backlog devem ser puxadas para o Sprint Backlog. Esse ciclo continuará até a release ser concluída;

É isso! Espero que tenha melhorado sua visão do Product Backlog.

7° Questão: O que acontece quando o Scrum Master sai de férias?

Antes de mais nada, entenda que um Scrum Master é um papel, não uma pessoa específica. O Scrum define apenas o papel, não o contexto onde ele deve atuar. Entendido isso, vamos a resposta. Na minha opinião um Scrum Master de férias é uma grande oportunidade para melhorar a maturidade e a auto-organização da equipe. Dependendo do seu contexto, você poderá dividir o papel entre vários membros da equipe, ou atribuir alguém em particular para o substituir.

Acredito que essa será uma grande oportunidade de adaptar uma abordagem rotativa do Scrum Master, já que provavelmente o problema “Scrum Master fora da equipe” está condenado a se repetir no futuro.

8° Questão: É possível trabalhar com equipes grandes em projetos ágeis?

É possível sim. Equipes ágeis, realmente, precisam ser pequenas, possuindo entre cinco e nove pessoas. Todas as equipes que são e desejam ser eficazes precisam ser pequenas. De qualquer forma, existem soluções óbvias e cabíveis para lidar com grandes projetos, por exemplo, dividindo o trabalho em uma série de subprojetos menores, relativamente independentes, para que dessa forma cada parte seja assumida por uma equipe menor.

9° Questão: Estou em um projeto desafiador para mim e para minha equipe, as vezes enfrento o problema de não conseguir estimar o esforço de uma história de usuário por falta de conhecimento técnico em determinada tecnologia que vamos utilizar. O que faço nessa situação? Estamos estourando o prazo das sprints por conta disso.

A solução para isso é utilizar Spikes, que são um tipo especial de estórias de usuário, utilizadas para atividades como investigação, pesquisa ou exploração. A finalidade de uma Spike é ganhar o conhecimento necessário para reduzir o risco de uma abordagem técnica, entender melhor um requisito ou aumentar a confiabilidade de uma estimativa.

Assim como outras estórias de usuário, uma Spike deve ser inserida dentro do Product Backlog, sendo estimada e dimensionada para caber em uma iteração. Assim, se a equipe não souber dimensionar uma estória de usuário, uma Spike pode ser criada para dar segurança e confiabilidade.

10° Questão: Que tipos de projetos são adequados para processos ágeis?

Em minha opinião, os projetos mais adequados para utilizar processos ágeis são aqueles com prazos agressivos, com alto grau de complexidade, e um alto grau de novidade (singularidade). Estamos propensos a querer usar os métodos ágeis quando estamos fazendo algo novo, ou pelo menos novo para a equipe.

É isso! Até a próxima, #Top10AgilistasEmDúvida. 😉

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