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Ordem, caos e complexidade

Ordem, caos e complexidade
Ordem, caos e complexidade

É normal encontrar organizações atuando no extremo da ordem, uma tentativa de tornar as coisas mais previsíveis e manter tudo sob controle. É criado uma série regras, e o sistema fica engessado, tornando-o pouco adaptativo e bastante burocrático. Por outro lado, quando não há nenhuma regra, nenhuma restrição, nenhum líder, o sistema se encontra no que conhecemos como caos (desordem) e fica impossível ter uma noção sobre o que está acontecendo ou para onde as coisas estão sendo direcionadas. Nesse artigo vou explicar como os métodos ágeis lidam com a ordem em excesso e o caos absoluto nas equipes e organizações. E principalmente, onde estão situados!

Agora, imagine que você está indo para a praia com seu cônjuge e com seus dois filhos, ao chegar todos estão felizes pois, finalmente, as tão sonhadas férias estão aí. Logo, as crianças pedem sua autorização para brincar e se divertirem pela praia, afinal, elas estão ansiosas por diversão. Você olha para elas e com muita calma diz: Claro crianças, mas quero que vocês fiquem a exatos 10 metros de mim, sentem na areia, construam um castelo de 1 metro e 30 centímetros, apenas com a pá verde, utilizem a amarela para molhar a areia e provocar mais aderência e rigidez ao castelo. Ah, antes que eu esqueça, não chorem, não gritem, não levantem, e (inclua mais unas 100 regras aqui).

Bem, nem preciso falar que as crianças ficariam extremamente frustradas com o passeio, elas não conseguiriam se divertir pois teriam que seguir ordens restritas e não haveria liberdade alguma para que elas se auto-organizassem. Isso acontece por que você impôs ordem em excesso para as crianças, praticamente engessou todos os passos que elas deveriam executar. Agora suponha que você, em vez disso, tenha dito algo como: Crianças, podem ser divertir, estão liberadas para fazer o que quiser, podem correr, brincar de castelo, nadar, jogar bola, mas no final voltem para a janta. Opa, nem preciso dizer que as chances das crianças se afogarem ou levarem uma bolada é grande. Logicamente, você ignorou os riscos e deixou as crianças viverem ou provocarem um caos na praia. Péssima ideia… 😐

Note que em ambas situações vivemos um extremo. No primeiro, as crianças não conseguem se divertir pois precisam seguir ordens restritas e não têm liberdade alguma para se auto-organizar ou expressar sua individualidade e criatividade. Já na segunda situação as crianças acabam se machucando por excesso de liberdade e negligência. Em vez de atuar nos dois lados do extremo, poderia ser falado algo como: Crianças, podem brincar mas fiquem em um lugar onde eu possa vê-las e não nadem sem que eu ou sua mãe estejamos por perto. Pronto, você uniu um pouco de ordem com uma pitada de caos, ou seja, você flexibilizou o lazer das crianças.

Agora, vamos imaginar uma equipe de desenvolvimento de software no extremo da ordem, ela possui regras para tudo, não possui liberdade para expressar sua criatividade ou para solucionar problemas, todos os horários são rígidos, as tecnologias são apenas as já definidas, o que se pode fazer já está escrito e o que não se pode fazer também. Há pouca ou nenhuma variação. Por outro lado temos uma equipe que não segue nenhuma regra, cada um escreve o código da maneira que quer, uns testam outros não, cada um tem sua linguagem de programação preferida, enfim, já da pra imaginar a bagunça. Os métodos ágeis tem uma resposta ao caos e à ordem, e propõem um cenário que está entre ambos, chamada de complexidade.

Métodos ágeis tentam encontrar um meio termo entre a ordem (regras, disciplina, restrições) e o caos (desordem, conflito, desorganização) em projetos ágeis. Por isso, atuam na complexidade.

Os métodos ágeis atuam a um passo do caos. É necessário apenas um pouco de ordem para que a auto-organização aconteça e determinado objetivo seja atingido, nem mais nem menos. Essa “ordem” geralmente está presente nos métodos ágeis em forma de restrições, garantindo que a equipe trabalhe em um estágio intermediário entre a ordem e o caos. Tudo que fica subentendido é espaço para que a equipe possa se auto-organizar e melhor se adequar ao trabalho no contexto em que está inserida.

Nos métodos ágeis o gestor tem sim um papel, mas não é o de criar regras dentro da organização, mas sim o de se certificar de que as pessoas podem criar suas próprias regras juntas, e é justamente esse esforço conjunto que permite o alcance da complexidade. A gestão deve se ocupar apenas com algumas restrições, o resto pode ser definido pela própria equipe, é assim que a auto-organização acontece em projetos ágeis.

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Um grande abraço e até a próxima!

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  • Marcelo Miney

    Achei absolutamente agressiva a forma de me oferecer o kit alguma coisa que simplesmente toma a tela toda, que horrível.