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O Renascimento da Agilidade

O Renascimento da Agilidade
O Renascimento da Agilidade

Tenho lido alguns artigos (muito bem escritos e articulados, por sinal) sobre “a morte da Agilidade” nos últimos tempos. Na verdade, autores vem matando a Agilidade ao longo dos últimos anos.

Morte da Agilidade? Por que?

Primeiro, há uma estratégia de marketing muito bem embutida no jogo!

Qualquer “guia mágico das 5 dicas dos títulos arrebatadores para artigos” diz, ou deveria dizer, que um bom título é como uma manchete de jornal: claro, sucinto, sexy, informativo e… chamativo!

Depois, historicamente, o ser humano tem um sentimento oscilante que vai do medo à fascinação, quando o assunto é a finitude (ou morte) de qualquer coisa.

Alguém próximo, uma celebridade, uma carreira, um emprego. Falar sobre O Fim, indiscutivelmente, chama atenção, sobretudo quando usado o conceito de “morte”.

A morte é uma constante ameaça. É impossível compreendê-la ou mesmo aceitá-la com tranquilidade. É, segundo filósofos, teólogos e psicólogos, a maior angústia do ser humano.

Esta afirmação da Dra. Edna Paciência Vietta explica por que artigos com esse direcionamento fazem tanto buzz na comunidade. Mas, “fascinação”? Ok… Talvez seja uma palavra forte. Mas, quem nunca parou tudo que estava fazendo quando ouviu alguém dizer:

Você viu quem morreu?

Estamos em busca do novo!

Outro fato é que sempre estamos em busca do novo!

Não de uma forma positiva, mas com uma conotação de substituição: o novo rei do futebol, a nova rainha do Pop. Aí falamos em mais uma estratégia de marketing, para colocar algo sob os holofotes, é necessário apagar os holofotes do que veio antes! E isso é cruel.

Na minha humilde opinião, aí reside uma das maiores bobagens da humanidade! Vivemos em constante evolução e não se pode simplesmente negar o que veio antes de nós! Uma amiga publicou outro dia no facebook uma frase sensacional:

Me respeita, porque, quando eu cheguei aqui era tudo mato!

E podemos aplicar isso em tudo! Para existir o progresso foi necessário que alguém limpasse o mato e outros tantos que erraram, aprenderam com seus erros e evoluíram. Esse é o segredo do progresso.

Não acredito em fórmulas completamente novas e milagrosas para a resolução dos problemas. Todas as ideias do ser humano são fruto da combinação de outras ideias, experiências e erros do passado.

Voltando à Agilidade, não acredito que nada tenha morrido, quebrado ou algo do gênero, simplesmente porque práticas adotadas no passado não deram certo. Isso faz parte!

Os agilistas criaram uma ideologia de mundo ideal? Sim! Este mundo existe? Não, na grande maioria dos casos! Mas, não é por isso que eu vou largar tudo, me jogar no chão em posição fetal e começar a lamentar a morte da Agilidade.

E qual o problema de se ter uma ideologia? Nenhum!

Ideologia… Eu quero uma pra viver!

Todo mundo precisa de uma ideologia, pelo menos no começo. Precisamos de bases sólidas para construir o futuro. Precisamos experimentar conceitos e ideias. Estas experiências são fundamentais para nossa evolução.

Esta ideia da “morte da Agilidade” me parece mais coisa de quem experimentou, falhou e desistiu. Somos agentes de mudança e não podemos simplesmente desistir! Diariamente somos expostos a uma grande quantidade de resistência. Então, como bons agentes de mudança, também precisamos resistir!

Mas a nossa resistência é um pouco diferente: resistimos com resiliência e flexibilidade. Resiliência para mantermos a calma durante o turbilhão de resistência, e flexibilidade para coletar o feedback, adaptar e partir para um novo ciclo.

Não é aceitável que um agente de mudança desista sem adaptar e inspecionar as suas propostas. Muito menos não é aceitável que se desista de um framework por que ele não se enquadra em alguns dos projetos. Isso é absolutamente normal e devemos combinar ideias, técnicas e práticas para otimizar e atingir resultados rápidos.

Isso que diferência o grau de maturidade, experiência e conhecimento de um Agile Coach.

Ideologias são fundamentais

Ideologias são fundamentais para dar um norte aos que estão iniciando. Afinal, quantos de nós não tentamos aplicar o Scrum by the book em nossos primeiros projetos? Talvez tenha funcionado, ou não.

Talvez tenha sido perfeito ou frustrante. Mas, são estes momentos que contribuem para o nosso amadurecimento profissional. Não podemos desistir de ideias, apenas porque não deram certo de primeira.

Principalmente, não podemos estimular os novatos em Agilidade a desistir!

Dizer que qualquer coisa “morreu” é uma atitude um tanto derrotista (e tendenciosa), que estimula os que não têm vivência suficiente a buscar pela próxima bala de prata. Aliás, de todos os artigos que li, pouquíssimos falam qual é o próximo rei da Entrega de Software.

Se você tentou e falhou, Ok. Levanta, sacode a poeira (aprende com a queda) e dá a volta por cima! Use o empirismo a seu favor!

Esperar pela próxima bala de prata nada mais é do que procurar outra ideologia para acreditar.

Então, me desculpem os que são contra ideologias, mas elas são necessárias, sim! Se você quer entrar em uma empresa e mudar alguma coisa, você precisa acreditar, se apaixonar pelas ideias que defende.

Alegar que você não deve se apaixonar por ideias para defendê-las é o mesmo comportamento das pessoas que sofreram por amor e hoje criaram um mecanismo de autoproteção e auto sabotagem para não se ferir novamente. Isso pode ser divertido de se assistir em uma novela. Mas, na vida real (e no final da sua novela favorita) o desfecho é sempre o mesmo: se joga, gente!

Vamos nos permitir!

Por fim, existe o Manifesto Ágil! Existem valores ali, que ainda fazem muito sentido para muitas pessoas. Não se pode matar valores, simplesmente por que valores deixam seu legado nas pessoas. Se você vive valores, não pode simplesmente trocá-los de uma hora pra outra.

Quando algo é pautado em valores fortes, não morre ou deixa de existir: deixa um legado nas pessoas, que usarão a ideologia como base de construção do aprendizado, que gerará novas ideias, num grande ciclo que se retroalimenta.

Agilidade não é o fim, mas o meio para entregar software, porque acreditamos nos valores e princípios ágeis.

Seja o rei do futebol, a rainha do Pop ou a Agilidade, nenhum deles jamais morrerá nem deixará de existir: todos renascerão, reinventados, de suas próprias cinzas, como uma fênix, através do legado de seus valores.

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